Guia técnico
Tipos de refletor: o guia completo
"Que tipo de refletor eu preciso?" é sete perguntas ao mesmo tempo, e a maioria das listas responde só uma.
Um refletor é classificado por sete eixos independentes. Um mesmo aparelho pode ser, ao mesmo tempo, LED (tecnologia), facho assimétrico (óptica), solar (alimentação), esportivo (aplicação), de mastro (montagem), IP66 (proteção) e DALI (controle). Trocar um eixo não obriga a trocar os outros.
Este guia percorre os sete, com todos os tipos que existem — inclusive os que ninguém mais instala, porque entender por que morreram explica o que sobrou.
Eixo 1 — Por tecnologia da fonte de luz
Térmicas (aquecem um filamento)
Incandescente. Filamento de tungstênio num bulbo. Converte quase tudo em calor. Reprodução de cor perfeita e custo irrisório. Fora de linha em praticamente todo lugar por eficiência.
Halógena. Incandescente com gás halogênio, que reconstitui o filamento e permite temperatura mais alta — mais luz e mais vida que a incandescente comum. Formatos típicos: palito linear R7s e PAR. Ainda usada onde a fidelidade de cor vale mais que o consumo.
Descarga de alta intensidade (HID)
Gás ionizado dentro de um tubo sob pressão. Todas precisam de reator e de tempo para acender — e, pior, de tempo para reacender depois de uma queda de energia.
Vapor de mercúrio. A primeira a iluminar via pública em escala. Luz esverdeada, eficiência baixa para o padrão atual, contém mercúrio. Em retirada no mundo todo.
Vapor metálico (metal halide). Foi o padrão de estádio, galpão e projeção arquitetural antes do LED. Luz branca de boa reprodução. Versão cerâmica (CDM/CMH) melhora a estabilidade de cor. Perde para o LED em tudo menos custo por lúmen de aparelho de grande porte.
Vapor de sódio alta pressão (HPS). A luz alaranjada da iluminação pública clássica. Eficiente e durável, reprodução de cor ruim — o que em via pública importava pouco.
Vapor de sódio baixa pressão (LPS/SOX). A fonte mais eficiente já produzida em lúmen por watt, e monocromática: tudo fica cinza. Usada em túnel e em áreas com observatório astronômico, porque a luz de uma só frequência é fácil de filtrar.
Xenônio de arco curto. Luz de altíssima intensidade e temperatura de cor próxima da luz do dia. É o coração do projetor de cinema, do holofote de busca e da família HMI de cinema e TV.
Descarga de baixa pressão
Fluorescente. Tubular ou compacta, em refletor de galpão e área de serviço. Barata e razoavelmente eficiente, mas sensível ao frio, com vida reduzida por ciclos de liga-desliga e contendo mercúrio.
Sem eletrodos
Indução magnética. Um campo magnético excita o gás sem eletrodo — e eletrodo é justamente a peça que queima. Daí a vida útil altíssima. Nicho: pontos onde subir para trocar a lâmpada custa mais que a lâmpada.
Plasma (LEP). Energia de radiofrequência excita o plasma dentro de uma cápsula selada. Espectro contínuo, muito próximo do solar. Ficou em aplicações especiais — horticultura, simulação solar — sem escala comercial.
Estado sólido
LED. Junção semicondutora. Domina porque ganha em quase todos os eixos ao mesmo tempo. Variantes que aparecem em ficha técnica:
- SMD — muitos chips pequenos distribuídos. Facho mais suave, melhor dissipação.
- COB (chip-on-board) — chips densos num único ponto. Facho concentrado, mais fácil de dirigir opticamente, mas exige dissipação séria.
- Alta potência discreta — chips individuais com lente própria.
- Fósforo remoto — a camada de fósforo fica afastada do chip, o que suaviza a luz e reduz a degradação por calor.
Laser / laser-fósforo. Um diodo laser azul excita um fósforo que converte a luz. Feixe extremamente concentrado e alcance longo. Presente em farol automotivo de alto padrão, projeção e iluminação de longa distância.
Históricas
Arco voltaico (arco de carbono). Dois eletrodos de carbono e um arco elétrico entre eles. Foi o holofote antiaéreo da Segunda Guerra, o farol de costa e o projetor de cinema até os anos 1960. Luz intensíssima, consumo brutal, eletrodo consumido durante o uso.
Limelight. Um bloco de cal aquecido por chama de oxi-hidrogênio, usado no teatro do século XIX. É a origem da expressão "estar sob os holofotes" em inglês.
Comparativo de tecnologias
Ordens de grandeza de literatura técnica, medidas na lâmpada. A eficácia do aparelho montado é sempre menor, porque a óptica e o driver consomem parte:
| Tecnologia | Eficácia típica | Vida útil típica | Acende na hora | Reprodução de cor |
|---|---|---|---|---|
| Incandescente | 10–17 lm/W | ~1.000 h | Sim | Excelente |
| Halógena | 15–25 lm/W | 2.000–4.000 h | Sim | Excelente |
| Fluorescente | 60–100 lm/W | 10.000–20.000 h | Quase | Boa |
| Vapor de mercúrio | 35–60 lm/W | ~24.000 h | Não | Fraca |
| Metal halide | 65–115 lm/W | 6.000–20.000 h | Não | Boa |
| Sódio alta pressão | 80–150 lm/W | 24.000–30.000 h | Não | Ruim |
| Sódio baixa pressão | 100–200 lm/W | ~18.000 h | Não | Nula (monocromática) |
| Indução | 60–90 lm/W | 60.000–100.000 h | Sim | Boa |
| LED | 80–200 lm/W | 30.000–100.000 h (L70) | Sim | Boa a excelente |
Use a tabela para entender a hierarquia entre tecnologias, não para especificar um produto: para isso vale só o datasheet do aparelho, com ensaio LM-79.
Eixo 2 — Por óptica e distribuição do facho
O mesmo fluxo com ângulos diferentes resolve problemas opostos.
| Tipo | Ângulo | Onde se usa |
|---|---|---|
| Spot / facho fechado | 10°–25° | Mastro alto, fachada distante, destaque |
| Facho médio | 30°–60° | Pátio, quadra, estacionamento |
| Flood / facho aberto | 90°–120° | Galpão, doca, canteiro, parede próxima |
| Assimétrico | — | Fachada e via: joga a luz para frente, não para baixo |
| Elíptico / oval | — | Área alongada: corredor, pista, arquibancada |
Ópticas com nome próprio (herança do palco e do estúdio)
PAR (parabolic aluminized reflector). Refletor parabólico e lâmpada num corpo só. Numerado pelo diâmetro em oitavos de polegada: PAR 20, 30, 38, 56, 64. O PAR 64 é o refletor de rock que virou ícone.
Fresnel. Lente de anéis concêntricos, que dá um facho de borda suave e permite variar a abertura afastando a lâmpada da lente. Padrão de estúdio de cinema e TV.
Elipsoidal (ERS, "Leko"). Facho de borda dura, com facas para recortar a forma da luz e porta-gobo para projetar desenho. É o bisturi da iluminação cênica.
Seguidor (followspot). Facho estreito e intenso, montado para acompanhar uma pessoa. O holofote no sentido original da palavra.
Wash. Espalha luz uniforme sobre uma superfície, sem definir borda.
Modificadores de fotografia
Não mudam a fonte, mudam a qualidade da luz: softbox (difunde), beauty dish (semidirecional), sombrinha (difusão barata), snoot (afunila), barndoors (recortam), grid/favo (controla o espalhamento).
Eixo 3 — Por alimentação
- Rede elétrica — 127/220/380 V. Menor custo por lúmen instalado; exige infraestrutura.
- Solar fotovoltaico integrado (all-in-one) — painel, bateria e LED num corpo só. Instalação sem vala nem cabo.
- Solar com painel separado — permite pôr o painel onde há sol e a luz onde é preciso.
- Bateria recarregável — refletor portátil de obra, manutenção e emergência.
- Gerador integrado — a torre de iluminação, que carrega a própria energia e o próprio mastro.
- Híbrido solar + diesel — o gerador só entra quando a bateria não sustenta.
- Dínamo / manivela — emergência e uso militar.
Eixo 4 — Por aplicação
Trabalho e infraestrutura: industrial e galpão · obra e canteiro · pátio de manobra e doca · portuário e pátio de contêiner · mineração e frente de lavra · agrícola e confinamento · aeroportuário (pátio e hangar) · rodoviário e viário.
Esporte: campo de futebol e society · quadra poliesportiva · estádio e arena · piscina · pista de atletismo. O nível exigido sobe muito quando há transmissão.
Arquitetura e cidade: fachada · monumento · praça e parque · paisagismo e jardim · sinalização e outdoor.
Segurança: perímetro · pátio de guarda · residencial com sensor · emergência (alimentação autônoma obrigatória).
Imagem: cênico e teatro · show e evento · estúdio de fotografia · cinema e TV.
Ambientes especiais:
- Antiexplosão (Ex) — petroquímica, refinaria, silo, zona com atmosfera inflamável. Aqui o invólucro contém a explosão em vez de apenas resistir à água.
- Marítimo e offshore — proteção contra corrosão salina, além do grau IP.
- Alta temperatura — siderurgia, forno, fundição.
- Câmara fria — o frio afeta driver e partida.
- Subaquático — piscina, fonte, mergulho, embarcação.
Móveis e embarcados: automotivo (farol auxiliar, barra de LED, farol de milha) · embarcação e busca marítima · helicóptero de resgate · viatura.
Espectro não branco:
- Horticultura (grow) — espectro ajustado à fotossíntese, não ao olho humano. Medido em µmol/s (PPF), não em lúmen.
- Infravermelho — visão noturna e aquecimento.
- UV-C germicida — desinfecção. Perigoso para pele e olhos; exige intertravamento.
- UV-A / luz negra — inspeção, ensaio não destrutivo, efeito cênico.
Eixo 5 — Por montagem
Parede e braço · poste e pétala · mastro alto (high mast, com coroa móvel para manutenção no solo) · embutido no piso (uplight) · espeto e estaca · tripé e pedestal · grampo e magnético · trilho · suspenso · sobre reboque (torre móvel) · capacete e lanterna de cabeça.
A montagem determina o ângulo necessário: quanto mais alto o ponto, mais fechado o facho, porque a iluminância cai com o quadrado da distância.
Eixo 6 — Por proteção e resistência
Grau IP (ABNT NBR IEC 60529) — poeira e água. Atenção: IP67 não é superior a IP66; são ensaios diferentes e quem precisa dos dois exige a marcação dupla. Veja IP66 ou IP67.
Grau IK — resistência a impacto. Importa em área pública sujeita a vandalismo e em ambiente com movimentação de carga.
Classificação Ex — atmosfera explosiva, por zona e grupo de gás ou poeira. É certificação própria, independente do IP.
Resistência à corrosão — ambiente litorâneo, frigorífico e químico. Não está no código IP, que é ensaiado com água limpa.
Faixa de temperatura de operação — um aparelho especificado para 40 °C perde vida útil rápido num galpão a 55 °C sob telha.
Eixo 7 — Por controle
- Liga/desliga direto no circuito.
- Fotocélula / relé fotoelétrico — acende ao escurecer. Cuidado clássico: se o relé enxerga a própria luz, entra em ciclo infinito.
- Sensor de presença — PIR (calor em movimento) ou micro-ondas (atravessa obstáculo, mais sensível e mais sujeito a disparo falso).
- Dimerização — TRIAC, 0–10 V, PWM ou DALI, que é o padrão endereçável predial.
- DMX512 / RDM — controle cênico, canal a canal, em tempo real.
- Cor variável — RGB, RGBW, RGBWW e tunable white (temperatura ajustável).
- Telegestão — iluminação pública com medição e comando remoto por ponto.
- Smart — Wi-Fi, Zigbee, Bluetooth Mesh, Matter.
Como usar os sete eixos
Percorra na ordem. Cada resposta elimina opções nos eixos seguintes:
- Tem rede elétrica no ponto? Não → solar, bateria ou torre.
- A instalação é permanente? Não → equipamento móvel.
- O ambiente tem risco especial? Explosivo, salino, quente, vandalizável → isso manda em tudo e reduz muito a lista.
- Que altura, e que área? Define o facho e o fluxo. Use quantos metros ilumina um refletor.
- A cor precisa ser lida com fidelidade? Define o IRC mínimo.
- Precisa acender instantaneamente? Elimina toda a família HID.
- Alguém vai controlar, ou é liga e esquece? Define o protocolo.
Para instalação nova, ligada à rede, sem exigência especial, os sete caminhos convergem para LED — e a decisão real passa a ser qual LED.