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Por aplicação

Refletor para obra

Em qualquer outra aplicação, o refletor é instalado uma vez e fica. Na obra ele é montado, desmontado, transportado na caçamba, montado de novo, derrubado, molhado e montado outra vez — e isso acontece enquanto a frente de serviço avança.

Por isso a escolha aqui não se faz por lúmen. Se faz por o que sobrevive à mudança.

As quatro restrições do canteiro

1. A luz anda. A frente de pavimentação avança dezenas de metros por dia. A laje sobe um pavimento por semana. Equipamento fixado com projeto elétrico permanente é dinheiro enterrado num ponto que em quinze dias não vai mais existir.

2. A energia é provisória. Quadro de obra, cabo estendido, gerador. Circuito provisório derruba tensão ao longo do cabo e sofre com a partida de motores — betoneira, serra, vibrador de concreto entram e saem o dia inteiro.

3. O ambiente destrói. Poeira de cimento, respingo de concreto, chuva, impacto. Poeira de cimento é abrasiva e higroscópica: ela não só suja, ela ataca.

4. Some. Furto e extravio em canteiro são custo previsível, não exceção. Aparelho caro com fixação simples é o primeiro a desaparecer.

O que isso muda na especificação

  • Grau IP66 no mínimo. Chuva com vento e lavagem são jato, não imersão.
  • Grau IK (impacto) importa aqui mais que em qualquer outra aplicação. Refletor de obra leva pancada.
  • Corpo e alça robustos. A alça é o que quebra: é por ela que o aparelho é carregado, pendurado e arrastado.
  • Bivolt. O canteiro tem 127 V hoje e 220 V amanhã, e ninguém vai conferir antes de ligar.
  • Proteção contra surto. Rede provisória e gerador entregam transitórios que a rede urbana estável não tem.
  • Driver substituível, se possível. Em obra, o aparelho apanha; poder trocar a peça que falha estende muito a vida do parque.

O provisório elétrico

Instalação elétrica temporária de obra continua sendo instalação elétrica: vale a NBR 5410, a NR-10 e, para o canteiro, as exigências de segurança da construção. Não existe "é só provisório".

Três pontos que aparecem em auditoria:

  • DR obrigatório no circuito de tomadas e iluminação móvel. Chão molhado e ferramenta elétrica é a combinação que mata.
  • Cabo dimensionado para a distância, não só para a corrente. Queda de tensão ao longo de cinquenta metros de extensão faz o refletor trabalhar abaixo do previsto e aquece o cabo.
  • Cabo suspenso, nunca no chão em área de trânsito de veículo ou empoçamento.

Veja instalação e normas.

Quando o refletor não é a resposta

Se a frente de serviço não tem rede elétrica — rodovia, frente de lavra, obra em área rural, pavimentação noturna —, o equipamento certo não é refletor avulso mais gerador improvisado. É torre de iluminação: mastro, gerador e refletores no mesmo conjunto, posicionada onde a frente está hoje e rebocada amanhã para onde ela estiver.

A conta que costuma decidir: puxar rede provisória até um ponto afastado envolve projeto, cabo, proteção e prazo — e não deixa nada instalado quando a obra termina.

Potência

SituaçãoPotência
Ponto de trabalho, bancada, escada50 W a 100 W
Pavimento em execução, área de apoio200 W
Pátio de material, área de manobra300 W a 400 W
Frente de serviço sem redetorre de iluminação

Frente de serviço pede em torno de 100 a 200 lux — nível de tarefa, não de circulação. Rode a conta em quantos metros ilumina um refletor.